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Reações diante do sofrimento humano

Postado em 29 julho 2010 por Cavernadeadulao

Por Geraldo Luiz Silva

Passei dez dias em Recife e tive a oportunidade de conhecer, pessoalmente, sobreviventes da tragédia que atingiu, recentemente, cidades de Pernambuco e Alagoas. Ouvi pessoas relatando, em detalhes, o horror da tragédia, enquanto mostravam, em telão, fotos da mesma. A mídia registrou os números de “mais de 50 mortos, cerca de 100 mil desabrigados e mais de 1.500 desaparecidos” (Jornal Hoje em Dia, 4/7/2010). Um pastor evangélico, da cidade de Palmares, mostrou fotos de destruição em toda a cidade e, mesmo quando mostrava como a tragédia se abatera sobre sua própria família, não deixava de ter um quase desconfortante -para a platéia que o ouvia- senso de humor.
A inflação subiu consideravelmente nas cidades atingidas, e alguns comerciantes tentaram se justificar dizendo da perda de estoque, falta de enegia etc, porém, não conseguiram escapar da imagem de grandes oportunistas em uma situação de calamidade. Por outro lado, ajuda humanitária tem chegado de diversos lugares, e nossos amigos da Escola Avalanche estão, nesta semana, morando em dos acampamentos para desabrigados, tentando amenizar um pouco o sofrimento de crianças, jovens, adultos, velhos, famílias inteiras.
Infelizmente, nada disso é inédito ou raro. E percebemos, em mais uma situação, que as pessoas reagem de maneira diferente em situações de sofrimento, desespero e dor.
Lendo, porém, uma reportagem sobre suicído na capital de São Paulo, atentei-me para o fato de que, nas cidades nordestinas atingidas, não há nenhum relato de suicídio por causa da tragédia. A informação torna-se tanto quanto mais relevante diante do fato de que a citada matéria destaca que, naquela que é a maior cidade da América Latina, a taxa de suicídos é maior nos bairros mais ricos.
Embora não seja nenhuma novidade a notícia de que o suicídio é maior entre ricos que pobres, não quero, aqui, simplificar questão tão complexa.
Os dados publicados na Folha de São Paulo (18/03/2010) permitem-nos reflexões outras. Poderíamos dizer que seja mais fácil ”entender”o desespero dentro de alguns doa fatores de risco citados, como condições clíncias incapacitantes, doenças incuráveis, histórico de abuso e trantornos mentais. O que nos chama mais atenção, ou nos incomoda, ou preocupa, talvez sejam alguns dos fatores sociodemográficos: sexo masculino, idade entre 15 e 35 anos, residentes de áreas urbanas, desempregados, ateus, solteiros.
A Bíblia é um grande relato do sofrimento humano, seus personagens e suas atitudes e, obviamente, uma responta de Deus para tal realidade. Muitas são as passagens de encorajamento, esperança, consolo, promessa de amparo, livramento e alívio. Mas não poderíamos, a partir disso, ser superficiais em pensar que cristãos, por isso, não estejam sujeitos ao sofrimento. Cito isso como introdução ao fato emblemático de termos, vez em quando, notícias de grande desespero e até de suicídio de cristãos.
Como temos lidado com o sofrimento? Temos errado? O que devemos fazer?

ANEXO
Leia a íntegra da reportagem:

Bairros mais ricos de São Paulo têm maior taxa de suicídio. Folha de São Paulo, 18 de março de 2010, página C7.

Renda, migração, estado civil e maior isolamento podem ajudar a explicar os números mais elevados nos bairros centrais da cidade”.
Um estudo feito com dados da Prefeitura de São Paulo e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que, de 1996 a 2005, regiões centrais da cidade apresentaram o dobro da taxa média de suicídios da periferia. Enquanto os bairros centrais tiveram, em média, 6,3 casos para 100 mil habitantes por ano durante o período estudado, aqueles localizados em áreas mais distantes, na zona sul da cidade, apresentaram 3,3 casos. Ocorreram 4.275 mortes por suicídio no período.

O pesquisador afirma que o elevado grau de urbanização e o isolamento típico das grandes cidades -características que podem estar relacionadas a maiores índices de suicídio- são encontradas em São Paulo, principalmente na área central. “Em São Paulo, existe uma relação da localidade com a renda – a periferia é mais pobre. Alguns estudos mostram que países mais ricos têm taxas mais altas de suicídio. Trouxemos essa discussão (da renda) para nossa pesquisa”, diz o geógrafo Daniel Bando, responsável pelo trabalho.

Além da renda, a pesquisa também relaciona outros fatores de risco de suicídio, mencionados pela OMS (Organização Mundial de Saúde), às maiores taxas nos bairros centrais. Segundo dados do IBGE, esses locais concentram mais solteiros e separados, estados civis relacionados a maiores chances de suicídio. Em contrapartida, há maior percentual de casados na periferia.

A migração também é fator de risco. Alguns bairros centrais são conhecidos por suas comunidades estrangeiras e de outras partes do país. “Regiões em que as pessoas perdem suas características culturais têm índices mais altos de suicídio. No caso dos migrantes brasileiros, não existe a barreira da língua, mas as culturas podem ser muito diferentes em uma cidade muito mais complexa do que as de origem desses novos moradores”, explica a psiquiatra Sabrina Stefanello, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e pesquisadora em suicídio na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

No Brasil, estimativas sugerem que ocorram 24 suicídios por dia, mas o número, mas o número deve ser 20% maior, pois muitos casos não são registrados.A quantidade de tentativas é de dez a 20 vezes mais alta do que a de mortes. Entre os jovens, a taxa multiplicou-se por dez de 1980 a 2000: de 0,4 para 4.

O números dos casos de suicídio cresceu 60% nos últimos 45 anos, de acordo com a OMS. A organização estima que, de 2002 a 2020, o aumento será de 74%, chegando a um suicídio a cada 20 segundos -hoje, a taxa é de um a cada 40 segundos.
O que há de mais concreto, para explicar o aumento, é a associação com transtornos mentais. principalmente a depressão, mais presente e identificada hoje”, diz Stefanello.

Pessoas que pensam em tirar a própria vida costumam manifestar sinais. “A maioria comenta com alguém próximo. Existe um mito de que quem quer se matar não fala, mas não é verdade. Diz algo como ´minha vida não vale a pena`, mostra desesperança”, diz.

Alguns fatores indicam maiores chances de suicídio:

•    Tentativa de suicído frustrada: cortes superficiais ou doses pequenas de remédios.
•    Condições clínicas incapacitantes: dor crônica, lesóes desfigurantes, epilepsia, trauma medular, câncer, Aids.
•    Histórico de trauma ou abuso.
•    Desesperança.
•    Transtornos mentais: depressão, uso de substâncias psicoativas, esquizofrenia, ansiedade.
•    Impulsividade.
•    Fatores sociodemográficos: sexo masculino, idade entre 15 e 35 anos e maior de 75 anos, classes sociais extremas, residentes de áreas urbanas, desempregados, aposentados, ateus e solteiros.

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